quinta-feira, 4 de abril de 2013
A praia abandonada....
A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa…
Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.
Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.
E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.
David Mourão-Ferreira
quarta-feira, 3 de abril de 2013
TALVEZ HOUVESSE UMA FLOR... ABERTA NA TUA MÃO
Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua…
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!
Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua…
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.
Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.
David Mourão-Ferreira
domingo, 20 de janeiro de 2013
Verdes são os campos ---POEMA de LUÍS de CAMÕES ----foi musicado por ZECA AFONSO
Verdes são os campos, -----
De cor de limão: -------
Assim são os olhos -----
Do meu coração.--------
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Campo, que te estendes ----
Com verdura bela; -------
Ovelhas, que nela -------
Vosso pasto tendes, ------
De ervas vos mantendes ----
Que traz o Verão, --------
E eu das lembranças ------
Do meu coração.-----------
.......................)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
AFONSO LOPES VIEIRA --- ai flores....
(....................
Ai flores, ai flores do Pinhal florido, ---
que vedes no mar?---
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,...---
que grande saudade, que longo gemido---
ondeia nos ramos, suspira no ar!---
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Na sussurrante e verde catedral---
oiço rezar a alma de Portugal:---
ela aí vem, dorida, e nos seus olhos---
sonâmbulos de surda ansiedade,---
no roxo da tardinha,---
abre a flor da Saudade:---
ela aí vem, sozinha,---
dorida do naufrágio e dos escolhos,---
..........................)
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domingo, 13 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
AFONSO LOPES VIEIRA ---- «E saudades até... doutras saudades.»
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Sobre o mar infinito debruçando-------
Seu cismático olhar de nostalgia,-----
Vê Portugal, ao fim de cada dia,------
As estrelas no céu irem tombando.-----
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Vão no Ocidente as luzes apagando-----
A flama bela que resplandecia:-------
E o olhar português, que o céu enchia,---
Encheu-se de saudades, contemplando.-----
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Dos meus olhos as fundas claridades,-----
Oh meu amor, vão para ti mais belas------
Desta alma ocidental, flor de saudades.---
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Mas saudades de ti? De mim? De quem?-----
As saudades da altura das estrelas,------
As saudades sem fim do mais além.-------
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