quinta-feira, 30 de maio de 2013

CONHECIMENTO ---- V. G. MOURA----AMAR é sempre mais conhecimento...

fiz no teu corpo à noite a travessia de mares e céus e terras e vulcões e em breve rodopio as estações detinham-se esquecidas e foi dia a memória das praias e florestas perpassou-me na pele e entranhou-se como um suave afago que assim fosse espuma que ficou de iras honestas e ao despertar de tanta sonolência formou-se devagar esta canção para entreter de novo o coração tão paciente em sua impaciência até que sendo noite eu atravesso uma outra vez o mundo, o mar, o vento. amar é sempre mais conhecimento e conhecer é tudo o que eu te peço. (Vasco Graça Moura)

AS PASSADEIRAS....

...................Lindo de morrer!!! Além de serem maravilhosas à vista estas lindas passadeiras, com a sua profusão de cores e flores, era um encanto passar e sentir os cheiros agradáveis a desprenderem-se das flores, à medida que estas iam envelhecendo....uma mistura de cheiros fabulosa, inesquecível, que apetecia aspirar profundamente........não vou esquecer, penso que ,....NUNNNNCA!!! ..............................................................................................................

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme e se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas na seda frágil e preservar o perfume que ai dorme, e vê passarem as leves borboletas livremente, e ouve cantarem os passares acordados nesta angústia, e o sol claro do dia as claras estátuas beijando sente. e espera que se desprenda o excessivo.úmido orvalho pousado, trêmulo, e sabe que talvez o vento a libertasse, porém a desprenderia do galho, e nesse tremor e esperança aguarda o mistério transida assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida. Cecília Meireles

Antúrios, bróteas, orquídeas..... todas maravilhosas...

~FLORES, flores e sempre flores liiiiindas

Se às vezes digo que as flores sorriem E se eu disser que os rios cantam, Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores E cantos no correr dos rios... É porque assim faço mais sentir aos homens falsos A existência verdadeiramente real das flores e dos rios. Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes À sua estupidez de sentidos... Não concordo comigo mas absolvo-me, Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza, Porque há homens que não percebem a sua linguagem, Por ela não ser linguagem nenhuma. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"

domingo, 26 de maio de 2013

AMO-TE COMO A PLANTA....

PABLO NERUDA Amo-te como a planta que não floriu e tem dentro de si, escondida, a luz das flores, e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo o denso aroma que subiu da terra. Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te diretamente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira, a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és, tão perto que a tua mão no meu peito é minha, tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono. Invejo as flores que murchando morrem, E as aves que desmaiam-se cantando PABLO NERUDA
Poema de ...Camilo Pessanha... .............................................................. VIDA!............................... Choveu!...... E logo da terra humosa Irrompe o campo das liliáceas. Foi bem fecunda, a estação pluviosa! Que vigor no campo das liliáceas! Calquem. Recalquem, não o afogam. Deixem. Não calquem. Que tudo invadam. Não as extinguem. Porque as degradam? Para que as calcam? Não as afogam. Olhem o fogo que anda na serra. É a queimada... Que lumaréu! Podem calcá-lo, deitar-lhe terra, Que não apagam o lumaréu. Deixem! Não calquem! Deixem arder. Se aqui o pisam, rebenta além. ........................................ Camilo Pessanha, in 'Clepsidra' Tema(s): Natureza

FLORES Liiiiiindas, liiiiindas....

................................. Sabia que era um deslumbramento mas, nunca pensei que fosse taaaanto! .... Orquídeas, antúrios, bróteas, margaridas,coroas imperiais ..... era tudo um ESPANTO!!!...........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

Ida à FESTA da FLOR ---- FUnchal 13 de maio 2013

................................................... Maravilhoso! EXcedeu as minhas expetativas....
O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas da roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. Fernando Pessoa

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A praia abandonada....

A praia abandonada recomeça logo que o mar se vai, a desejá-lo: é como o nosso amor, somente embalo enquanto não é mais que uma promessa… Mas se na praia a onda se espedaça, há logo nostalgia duma flor que ali devia estar para compor a vaga em seu rumor de fim de raça. Bruscos e doloridos, refulgimos no silêncio de morte que nos tolhe, como entre o mar e a praia um longo molhe de súbito surgido à flor dos limos. E deste amor difícil só nasceu desencanto na curva do teu céu. David Mourão-Ferreira

quarta-feira, 3 de abril de 2013

TALVEZ HOUVESSE UMA FLOR... ABERTA NA TUA MÃO

Talvez houvesse uma flor aberta na tua mão. Podia ter sido amor, e foi apenas traição. É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua… Ai de mim, que nem pressinto a cor dos ombros da Lua! Talvez houvesse a passagem de uma estrela no teu rosto. Era quase uma viagem: foi apenas um desgosto. É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua… Só o fantasma do instinto na cinza do céu flutua. Tens agora a mão fechada; no rosto, nenhum fulgor. Não foi nada, não foi nada: podia ter sido amor. David Mourão-Ferreira