domingo, 6 de novembro de 2016

Mário quintana os poemas são pássaros

" Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti "...
Mário Quintana

sábado, 5 de novembro de 2016

Fernando pessoa Ah, mas se ela adivinhasse

(.................................
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
.........................................)
Fernando Pessoa

sábado, 29 de outubro de 2016

david mourão Ferreira ---- Natal à BEIRA RIO

.
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
.
in "Obra Poética 1948-1988"
 de David Mourão-Ferreira 

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

autor desconhecido ... sê um simples rouxinol

“Se não podes
Ser um pavão
De uma linda plumagem,
Admirado por todos
Pela sua beleza
Sê um simples rouxinol
E embeleza o mundo
Com a tua voz doce
Se não podes ser uma árvore majestosa,
Por cima de tudo e de todos…
Sê uma simples planta
Perdida no vale…
Se não podes ser um mar imenso,
Onde todos navegam…
Sê uma simples fonte
Onde todos matam a sede"
Autor desconhecid

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ah farófias, mais um clássico da doçaria portuguesa, simples receita, simples ingredientes acabam num doce maravilhoso, é parecido com o molotof, no sentido de ser um doce de claras, mas como as claras são cozidas em leite ficam umas nuvemzinhas deliciosas.
Dados Nutricionais: Calorias: 1302 kcalGorduras: 49 grProteínas: 68 grCarboidratos: 148 gr;

Ingredientes:

Instruções:

  • Primeiro separa as claras das gemas e começa por bater as claras em castelo, quando chegar ao ponto deita umas 3 colheres de sopa de açúcar e bate mais um pouco, depois põe de parte
  • Numa tigela mistura as gemas com 200ml de leite meio gordo, mistura bem até estarem bem dissolvidas e põe também de parte.
  • Agora num tacho de preferência largo deita o restante leite, o pau de canela, a casca de limão e 3 colheres de sopa de açúcar e leva a ferver.
  • Quando começar a ferver baixa o lume e deixa este em médio baixo, agora usa uma colher grande de sopa ou de servir e tira conchas das claras para o leite, elas vão flutuar, agora coze um pouco elas de um lado e depois vira, elas devem também crescer um pouco, cozer as claras não demora muito tempo mas é uma questão da quantidade de clara que puseste e do calor.
  • Se elas começaram e ficar mais pequenas então é porque já estão demasiado cozidas, também não enchas a panela, põe umas quantas colheres, depois coze e retira para um escorredor para retirar o excesso de leite, repete o processo até fazeres todas as claras.
  • Depois de teres cozido todas as claras, baixa o lume do leite e tira uma concha do leite quente e põe na tigela que tem as gemas e mistura bem com uma varinha, vai acrescentando leite morno até a mistura estar quente, depois retira a casca de limão e pau de canela e deita a mistura da tigela de volta para o tacho onde está o leite (fazes isto para não coalhar os ovos, aquecendo eles devagarinho).
  • Agora mexe continuamente a mistura com uma varinha até engrossar, prova para ver se o doce está no ponto e retira do lume.
  • Agora é só por com cuidado as claras numa travessa e deitar o creme de ovos por cima, polvilha com um pouco de canela moída e está pronto a servir, é delicioso tanto quentinho como fresquinho.

Read more at http://www.iguaria.com/sobremesa/doce/farofias/#wGXxYlIbd7dgTtKG.99

sábado, 1 de outubro de 2016

Florbela Espanca --- CHARNECA em FLOR

Se Tu Viesses Ver-me..
.Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CARLOS DRUMMOND ANDRADE TRISTEZA no CÉU

Tristeza no Céu ---- Carlos Drummond de Andrade
“No céu, também, há uma hora melancólica
Hora difícil em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: “Não sei”
Os anjos olham-no com reprovação e plumas caem
Todas as hipóteses
A graça, a eternidade, o amor, caem
São plumas
Outra pluma, o céu se desfaz
Tão manso, nenhum fragor denuncia
O momento entre tudo e nada
Ou seja, a tristeza de Deus”

terça-feira, 27 de setembro de 2016

AGRESTES MARIANNE MOORE

Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na selecção dessas coisas
não haverá um falar de mim?

Não haverá nesse pudor
de falar-me uma confissão,
uma indirecta confissão.
pelo avesso, e sempre impudor?

A coisa de que se falar
até onde está pura ou impura?
Ou sempre se impõe, mesmo
impuramente, a quem dela quer falar?

Como saber, se há tanta coisa
de que falar ou não falar?
E se o evitá-la, o não falar,
é uma forma de falar da coisa?

- Dúvidas apócrifas de Marianne Moore, in "Agrestes".

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ausência --- Carlos Drummond Andrade


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond Andrade

domingo, 18 de setembro de 2016

RICARDO REIS:::: (Fernando Pessoa) ---- segue o teu destino....

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é maios ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós própios.
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Ricardo Reis
( Fernando Pessoa )

sábado, 2 de julho de 2016

Resposta aO texto da Zé FRANCA

Oh Zé! Estou emocionada e muito sensibilizada pelo relato maravilhoso que fizeste das nossas vidas ! Alegrias, desgostos tudo temos partilhado ao longo destes 30 anos! Muito obrigada, minha AMIGA, por teres relembrado tão maravilhosamente passos das nossas vidas que vivemos em conjunto e que nunca mais esqueceremos! ... Tanta coisa bonita e boa para recordar! Desgostos também ... mas, sentimos sempre um ombro amigo para nos apoiarmos e darmos mais um passo em frente ! Obrigada Zé, pela AMIZADE e pela vivência partilhada nestes trinta anos! ... Saúde para vivermos mais alguns...um beijo, AMIGA!

        Lena M. Serrador
Celebração da amizade. No face, há cinco anos, nas vidas há mais de 30. Recordo a primeira vez que te encontrei: estavas com a tua filha, eu ia com a tua prima Fernanda, à esquina da rua da livraria Martins (saudosa), com a Praça Rodrigues Lobo. Depois, na finalização da licenciatura, fui a tua casa por causa de uns apontamentos de Latim. No decurso da nossa profissão, e durante uns concursos de professores, foste a minha casa, na altura na av. Marquês de Pombal. Também durante o nosso estágio de dois anos, partilhámos alegrias e tristezas, trabalhos e matéria de testes naquelas disciplinas áridas que éramos obrigadas a frequentar. Estudámos em frente ao teu jardim. Chorámos olhando o fogo da tua lareira, quando a tristeza bateu à tua porta. Passámos serões juntas depois que fui viver para o teu prédio, há 22 anos. Partilhámos angústias em preparações de almoços de Natal, eu a correr escada abaixo para te e me socorrer nalgum pormenor. Fui ternamente apelidada por ti de "frango voador" quando da tua operação à vesícula, com as sopinhas que te levava, acabadinhas de fazer (mimos, pois tu estavas bem amparada, felizmente). Agora dás - me tu umas deliciosas sopinhas quando chego de Lisboa. Chás, bolinhos.... e as pataniscas de bacalhau!!!!! Lena, Leninha, amiga maravilhosa, bem hajas por existires!

mARIA jOSÉ fRANCA

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mário Quintana ----- os poemas são pássaros

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... Mário Quintana