quinta-feira, 17 de novembro de 2016

MiguELTorgA SEI um NINHO

"SEI UM NINHO"




Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

mIGUEL TORGA
 

  

domingo, 13 de novembro de 2016

Carlos Drummond AMAR o PERDIDO

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond

domingo, 6 de novembro de 2016

Mário quintana os poemas são pássaros

" Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti "...
Mário Quintana

sábado, 5 de novembro de 2016

Fernando pessoa Ah, mas se ela adivinhasse

(.................................
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
.........................................)
Fernando Pessoa

sábado, 29 de outubro de 2016

david mourão Ferreira ---- Natal à BEIRA RIO

.
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
.
in "Obra Poética 1948-1988"
 de David Mourão-Ferreira 

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

autor desconhecido ... sê um simples rouxinol

“Se não podes
Ser um pavão
De uma linda plumagem,
Admirado por todos
Pela sua beleza
Sê um simples rouxinol
E embeleza o mundo
Com a tua voz doce
Se não podes ser uma árvore majestosa,
Por cima de tudo e de todos…
Sê uma simples planta
Perdida no vale…
Se não podes ser um mar imenso,
Onde todos navegam…
Sê uma simples fonte
Onde todos matam a sede"
Autor desconhecid

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ah farófias, mais um clássico da doçaria portuguesa, simples receita, simples ingredientes acabam num doce maravilhoso, é parecido com o molotof, no sentido de ser um doce de claras, mas como as claras são cozidas em leite ficam umas nuvemzinhas deliciosas.
Dados Nutricionais: Calorias: 1302 kcalGorduras: 49 grProteínas: 68 grCarboidratos: 148 gr;

Ingredientes:

Instruções:

  • Primeiro separa as claras das gemas e começa por bater as claras em castelo, quando chegar ao ponto deita umas 3 colheres de sopa de açúcar e bate mais um pouco, depois põe de parte
  • Numa tigela mistura as gemas com 200ml de leite meio gordo, mistura bem até estarem bem dissolvidas e põe também de parte.
  • Agora num tacho de preferência largo deita o restante leite, o pau de canela, a casca de limão e 3 colheres de sopa de açúcar e leva a ferver.
  • Quando começar a ferver baixa o lume e deixa este em médio baixo, agora usa uma colher grande de sopa ou de servir e tira conchas das claras para o leite, elas vão flutuar, agora coze um pouco elas de um lado e depois vira, elas devem também crescer um pouco, cozer as claras não demora muito tempo mas é uma questão da quantidade de clara que puseste e do calor.
  • Se elas começaram e ficar mais pequenas então é porque já estão demasiado cozidas, também não enchas a panela, põe umas quantas colheres, depois coze e retira para um escorredor para retirar o excesso de leite, repete o processo até fazeres todas as claras.
  • Depois de teres cozido todas as claras, baixa o lume do leite e tira uma concha do leite quente e põe na tigela que tem as gemas e mistura bem com uma varinha, vai acrescentando leite morno até a mistura estar quente, depois retira a casca de limão e pau de canela e deita a mistura da tigela de volta para o tacho onde está o leite (fazes isto para não coalhar os ovos, aquecendo eles devagarinho).
  • Agora mexe continuamente a mistura com uma varinha até engrossar, prova para ver se o doce está no ponto e retira do lume.
  • Agora é só por com cuidado as claras numa travessa e deitar o creme de ovos por cima, polvilha com um pouco de canela moída e está pronto a servir, é delicioso tanto quentinho como fresquinho.

Read more at http://www.iguaria.com/sobremesa/doce/farofias/#wGXxYlIbd7dgTtKG.99

sábado, 1 de outubro de 2016

Florbela Espanca --- CHARNECA em FLOR

Se Tu Viesses Ver-me..
.Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CARLOS DRUMMOND ANDRADE TRISTEZA no CÉU

Tristeza no Céu ---- Carlos Drummond de Andrade
“No céu, também, há uma hora melancólica
Hora difícil em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: “Não sei”
Os anjos olham-no com reprovação e plumas caem
Todas as hipóteses
A graça, a eternidade, o amor, caem
São plumas
Outra pluma, o céu se desfaz
Tão manso, nenhum fragor denuncia
O momento entre tudo e nada
Ou seja, a tristeza de Deus”

terça-feira, 27 de setembro de 2016

AGRESTES MARIANNE MOORE

Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na selecção dessas coisas
não haverá um falar de mim?

Não haverá nesse pudor
de falar-me uma confissão,
uma indirecta confissão.
pelo avesso, e sempre impudor?

A coisa de que se falar
até onde está pura ou impura?
Ou sempre se impõe, mesmo
impuramente, a quem dela quer falar?

Como saber, se há tanta coisa
de que falar ou não falar?
E se o evitá-la, o não falar,
é uma forma de falar da coisa?

- Dúvidas apócrifas de Marianne Moore, in "Agrestes".

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ausência --- Carlos Drummond Andrade


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond Andrade

domingo, 18 de setembro de 2016

RICARDO REIS:::: (Fernando Pessoa) ---- segue o teu destino....

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é maios ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós própios.
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Ricardo Reis
( Fernando Pessoa )

sábado, 2 de julho de 2016

Resposta aO texto da Zé FRANCA

Oh Zé! Estou emocionada e muito sensibilizada pelo relato maravilhoso que fizeste das nossas vidas ! Alegrias, desgostos tudo temos partilhado ao longo destes 30 anos! Muito obrigada, minha AMIGA, por teres relembrado tão maravilhosamente passos das nossas vidas que vivemos em conjunto e que nunca mais esqueceremos! ... Tanta coisa bonita e boa para recordar! Desgostos também ... mas, sentimos sempre um ombro amigo para nos apoiarmos e darmos mais um passo em frente ! Obrigada Zé, pela AMIZADE e pela vivência partilhada nestes trinta anos! ... Saúde para vivermos mais alguns...um beijo, AMIGA!

        Lena M. Serrador