quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

LiVRO DA PRIMEIRA CLASSE --- Os presentes do MENINO JESUS

oS PRESENTES DO MENINO JESUS    ----   lIVRO DA PRIMEIRA CLASSE
A noite é de neve, fria,
brilham mais as estrelinhas,
mas já pelos céus descia
o Deus-Menino e sorria
a todas as criancinhas.
.......................
Menino Jesus, contente,
vai descer às chaminés.
E caminha docemente,
ninguém o vê, nem pressente,
dormem todos os bébés.
.......................
Que lindas coisas doiradas,
que presentes tão bonitos,
que nem os sonham as fadas!
Abre as mãozinhas nevadas
e dá tudo aos pequenitos
.......................
Não cabem nos sapatinhos
os brinquedos, óh Jesus!
São pequenos os pèzinhos
Mas deixa bolas, carrinhos,
tudo o que é lindo e reluz!
........................
Amanhã, de manhãzinha
que alegres risos, contentes!
irá cada criancinha,
correndo ansiosa, à cozinha,
buscar os lindos presentes.
(poema retirado do livro da 1ª classe)
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Co

MIGUEL TORGA ---- Velho menino JESUS

Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração..
MIGUEL TORGA

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

S. Pedro de Moel --- Marta Monteiro Oliveira

S. Pedro de Moel


Hoje fui visitar-te. As saudades eram mais que muitas, estavas ali intacta como se estivesses à espera que eu voltasse. Sempre que penso em ti fico com borboletas na barriga e sempre que falo de ti enches-me de orgulho. Mas a verdade é que te deixamos sempre que o frio se aproxima e parece que nos esquecemos daquilo que és para nós, tenho medo que aches que não te levamos no coração. Eu levo, e sei que os melhores também. 
Mas sempre que voltamos tratas-nos bem, bem de mais. Recebes-nos com o teu cheiro a maresia que nos entra casa a dentro e nos faz sentir-te nos nossos pulmões, cada vez que inspiro parece que ganho 10 anos de vida. Fazes-nos bem, fazes-nos muito bem.
Hoje fui visitar-te e continuas a praia mais bonita de todas, é tão bom pensar que nunca vais mudar e que vais ser para sempre o melhor sítio do mundo. É bom ver que o mar continua gelado e turbulento, que os crepes com Nutella do Iceberg continuam quentinhos e saborosos, é bom ver que o farol continua a dar luz e que a cacimba ainda não parou de cair. Que o café do Sr. António continua a ser 1,5€, e que casmurro que ele é, e que os bifes do João ainda são de comer e chorar por mais. É bom ver-te assim. Obrigada por me dares certezas que daqui a uns anos vou poder partilhar um bocadinho de ti com os meus filhos, mostrar-lhes todos os teus recantos e todos os teus segredos.

Hoje fui visitar-te e senti que ainda gostas de mim...

Marta Monteiro Oliveira

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

EUGénio de ANDRADE --- O DOMINGO

O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.
Hoje os montes e os rios
e as nuvens
não vêm nas tuas mãos.
(Se ao menos elas viessem
sem montes e sem nuvens
e sem rios...)
O domingo está apenas nos meus olhos
e é grande.
Os montes estão distantes e ocultam
os rios e as nuvens
e as rosas

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

MiguELTorgA SEI um NINHO

"SEI UM NINHO"




Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

mIGUEL TORGA
 

  

domingo, 13 de novembro de 2016

Carlos Drummond AMAR o PERDIDO

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond

domingo, 6 de novembro de 2016

Mário quintana os poemas são pássaros

" Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti "...
Mário Quintana

sábado, 5 de novembro de 2016

Fernando pessoa Ah, mas se ela adivinhasse

(.................................
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
.........................................)
Fernando Pessoa

sábado, 29 de outubro de 2016

david mourão Ferreira ---- Natal à BEIRA RIO

.
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
.
in "Obra Poética 1948-1988"
 de David Mourão-Ferreira 

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

MIA COUTO --- A FLOR QUE TU ÉS

A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.

Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar.

MIA COUTO

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

autor desconhecido ... sê um simples rouxinol

“Se não podes
Ser um pavão
De uma linda plumagem,
Admirado por todos
Pela sua beleza
Sê um simples rouxinol
E embeleza o mundo
Com a tua voz doce
Se não podes ser uma árvore majestosa,
Por cima de tudo e de todos…
Sê uma simples planta
Perdida no vale…
Se não podes ser um mar imenso,
Onde todos navegam…
Sê uma simples fonte
Onde todos matam a sede"
Autor desconhecid

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ah farófias, mais um clássico da doçaria portuguesa, simples receita, simples ingredientes acabam num doce maravilhoso, é parecido com o molotof, no sentido de ser um doce de claras, mas como as claras são cozidas em leite ficam umas nuvemzinhas deliciosas.
Dados Nutricionais: Calorias: 1302 kcalGorduras: 49 grProteínas: 68 grCarboidratos: 148 gr;

Ingredientes:

Instruções:

  • Primeiro separa as claras das gemas e começa por bater as claras em castelo, quando chegar ao ponto deita umas 3 colheres de sopa de açúcar e bate mais um pouco, depois põe de parte
  • Numa tigela mistura as gemas com 200ml de leite meio gordo, mistura bem até estarem bem dissolvidas e põe também de parte.
  • Agora num tacho de preferência largo deita o restante leite, o pau de canela, a casca de limão e 3 colheres de sopa de açúcar e leva a ferver.
  • Quando começar a ferver baixa o lume e deixa este em médio baixo, agora usa uma colher grande de sopa ou de servir e tira conchas das claras para o leite, elas vão flutuar, agora coze um pouco elas de um lado e depois vira, elas devem também crescer um pouco, cozer as claras não demora muito tempo mas é uma questão da quantidade de clara que puseste e do calor.
  • Se elas começaram e ficar mais pequenas então é porque já estão demasiado cozidas, também não enchas a panela, põe umas quantas colheres, depois coze e retira para um escorredor para retirar o excesso de leite, repete o processo até fazeres todas as claras.
  • Depois de teres cozido todas as claras, baixa o lume do leite e tira uma concha do leite quente e põe na tigela que tem as gemas e mistura bem com uma varinha, vai acrescentando leite morno até a mistura estar quente, depois retira a casca de limão e pau de canela e deita a mistura da tigela de volta para o tacho onde está o leite (fazes isto para não coalhar os ovos, aquecendo eles devagarinho).
  • Agora mexe continuamente a mistura com uma varinha até engrossar, prova para ver se o doce está no ponto e retira do lume.
  • Agora é só por com cuidado as claras numa travessa e deitar o creme de ovos por cima, polvilha com um pouco de canela moída e está pronto a servir, é delicioso tanto quentinho como fresquinho.

Read more at http://www.iguaria.com/sobremesa/doce/farofias/#wGXxYlIbd7dgTtKG.99

sábado, 1 de outubro de 2016

Florbela Espanca --- CHARNECA em FLOR

Se Tu Viesses Ver-me..
.Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha, 
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CARLOS DRUMMOND ANDRADE TRISTEZA no CÉU

Tristeza no Céu ---- Carlos Drummond de Andrade
“No céu, também, há uma hora melancólica
Hora difícil em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: “Não sei”
Os anjos olham-no com reprovação e plumas caem
Todas as hipóteses
A graça, a eternidade, o amor, caem
São plumas
Outra pluma, o céu se desfaz
Tão manso, nenhum fragor denuncia
O momento entre tudo e nada
Ou seja, a tristeza de Deus”