terça-feira, 30 de novembro de 2010

Homenagem a Fernando Pessoa




Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio,
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes
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Fernando Pessoa completa hoje 75 anos sobre a sua morte

Faleceu com 45 anos, em Lisboa, a 30 de Novembro de 1935
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Fernando Pessoa ... Prefiro ROSAS MEU AMOR


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva



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domingo, 28 de novembro de 2010

Pontes do RIO LIS


Verdura sobre o RIO LIS

Açude no RIO LIS _____ Junto ao MOÍNHO de PAPEL

Vai fermosa e não segura....

CANTIGA

Descalça vai para a fonte,
Leanor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

A talha leva pedrada,
Pucarinho de feição,
Saia de cor de limão,
Beatilha soqueixada;
Cantando de madrugada,
Pisa as flores na verdura:
Vai fermosa, e não segura.

Leva na mão a rodilha,
Feita da sua toalha;
Com üa sustenta a talha,
Ergue com outra a fraldilha;
Mostra os pés por maravilha,
Que a neve deixam escura:
Vai fermosa, e não segura.

As flores, por onde passa,
Se o pé lhe acerta de pôr,
Ficam de inveja sem cor,
E de vergonha com graça;
Qualquer pegada que faça
Faz florescer a verdura:
Vai formosa, e não segura.

Não na ver o Sol lhe val,
Por não ter novo inimigo;
Mas ela corre perigo,
Se na fonte se vê tal;
Descuidada deste mal,
Se vai ver na fonte pura:
Vai fermosa, e não segura

(Francisco Rodrigues Lobo)

Fermoso RIO LIS --- Francisco Rodrigues Lobo

Fermoso rio Lis, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que üas sobre outras, de invejosas,
Ficam cobrindo o vão destes penedos;

Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos
Sois morada das Ninfas mais fermosas,
Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas,
Em quem esconde Amor tantos segredos;

Se vós, livres de humano sentimento,
Em quem não cabe escolha nem vontade,
Também às leis de Amor guardais respeito.

Como se há-de livrar meu pensamento
De render alma, vida e liberdade,
Se conhece a razão de estar sujeito?


Primavera, Vales e Montes..., Floresta Undécima

Francisco Rodrigues Lobo

Moças da REGIÃO de LEIRIA .... a caminho do mercado



Moças da Região de LEIRIA indo a caminho do mercado

Poema de AMOR ----- Francisco R. Lobo

Coração, olha o que queres:
Que mulheres, são mulheres...



Tão tirana e desigual

Sustentam sempre a vontade,

Que a quem lhes quer de verdade

Confessam que querem mal;

Se Amor para elas não val,

Coração, olha o que queres:

Que mulheres, são mulheres...


Se alguma tem afeição

Há-de ser a quem lha nega,

Porque nenhuma se entrega

Fora desta condição;

Não lhe queiras, coração,

E senão, olha o que queres:

Que mulheres, são mulheres...


São tais, que é melhor partido

Para obrigá-las e tê-las,

Ir sempre fugindo delas,

Que andar por elas perdido;

E pois o tens conhecido,

Coração, que mais lhe queres?

Que, em fim, todas as mulheres!


Francisco Rodrigues Lobo (1579-1621)