sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
António Gedeão --- Pedra Filosofal
(..........
"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul"....
"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul"....
POEMA de Afonso Lopes Vieira
CANTARES DOS BÚZIOS
Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.
No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!
Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»
Afonso Lopes Vieira
Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.
No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!
Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»
Afonso Lopes Vieira
terça-feira, 1 de novembro de 2011
O BúZIO........
(.............No alto da duna o Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Ficou algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas, com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, com a luz, recortar e desenhar todas as coisas. Não posso repetir as suas palavras: não as decorei e isto passou-se há muitos anos. E também não entendi inteiramente o que ele dizia. E algumas palavras mesmo não as ouvi, porque o vento rápido lhas arrancava da boca. Mas lembro-me de que eram palavras moduladas como um canto, palavras quase visíveis que ocupavam os espaços do ar com a sua forma, a sua densidade e o seu peso. Palavras que chamavam pelas coisas, que eram o nome das coisas. Palavras brilhantes como as escamas de um peixe, palavras grandes e desertas como praias. E as suas palavras reuniam os restos dispersos da alegria da terra. Ele os invocava, os mostrava, os nomeava: vento, frescura das águas, oiro do sol, silêncio e brilho das estrelas.
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Homero", in Contos
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Homero", in Contos
O BÚZIO lembrava um monumento manuelino....
(..............O Búzio lembrava um
monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas
veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navio. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco. Os seus olhos, como o próprio mar, ora eram azuis, ora cinzentos, ora verdes, e às vezes mesmo os vi roxos. E trazia sempre na mão direita duas conchas. Eram daquelas conchas brancas e grossas com círculos acastanhados, semi-redondas e semitriangulares, que têm no vértice da parte triangular um buraco.
.....................................)
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Este é o conto de Sophia que sempre recordo nas minhas caminhadas pela praia.....é por isso que cruzo o célebre CATITINHA e O HOMEM das BOLAS da GALÉ!....SÃO AS MINHAS ASSOCIAÇÕES, que se cruzaram e , ainda passam na MINHA VIDA!!!.....
Descrição do "BúZIO" imaginário de SOPHIA....
O BúZIO
---------------------------------- FÍSICA
velho
alto
direito
barba branca ondulada
grossas veias azuis nas pernas
andar baloiçado como um andar de marinheiro
os olhos ora azuis, ora verdes, ora roxos, como o próprio mar
-------------------------------- PSICOLÓGICA
vagabundo
louco
calmo
calado
fala com a natureza
---------------------------------- FÍSICA
velho
alto
direito
barba branca ondulada
grossas veias azuis nas pernas
andar baloiçado como um andar de marinheiro
os olhos ora azuis, ora verdes, ora roxos, como o próprio mar
-------------------------------- PSICOLÓGICA
vagabundo
louco
calmo
calado
fala com a natureza
sábado, 29 de outubro de 2011
POEMAS de SOPHIA
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
O nosso CHOUPO-----
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" fez-me lembrar, aquelas tardes na galé quando regressávamos a casa depois de um longo dia de praia e apreciávamos as cores e os sons da naturereza" ...................... Marta----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Sim Marta! Lembro-me muito bem e aí fica o choupo, motivador das nossas conversinhas, quando ouvíamos o agitar das folhitas e lembrávamos os lindos contos de Sophia de Mello Andresen, que ambas apreciávamos e relembrávamos...... Obrigada pelo testemunho e um grande beijinho da Avó Lenita
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