quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"O BÚZIO " de SOPHIA M. B. A.

"Quando eu era pequena, passava às vezes pela praia um velho louco e vagabundo a quem chamavam o Búzio.

O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navio. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco. Os seus olhos, como o próprio mar, ora eram azuis, ora cinzentos, ora verdes, e às vezes mesmo os vi roxos. E trazia sempre na mão direita duas conchas. Eram daquelas conchas brancas e grossas com círculos acastanhados, semi-redondas e semitriangulares, que têm no vértice da parte triangular um buraco."

"O Búzio passava um fio através dos buracos, atando assim as duas conchas uma à outra, de maneira a formar com elas umas castanholas. E era com essas castanholas que ele marcava o ritmo dos seus longos discursos cadenciados, solitários e misteriosos como poemas."


SOPHIA MELLO B. A.

Passeios Quotidianos.... relembrando "O BÚZIO" de SOPHIA



Nos meus passeios quotidianos, nesta praia, a minha memória divagava sempre pelo velho conto que eu lia e relia aos meus alunos de 7º ano e que sempre me enternecia o meu pensamento... "o velho com a sua capa e as conchas penduradas"......... " e,....trazia sempre na mão direita duas conchas..."

Foi um CONTO que sempre me deliciou e que me acompanha......... vezes sem conta........

" O Búzio "

" NO alto da duna o Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Ficou algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas, com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, com a luz, recortar e desenhar todas as coisas. Não posso repetir as suas palavras: não as decorei e isto passou-se há muitos anos. E também não entendi inteiramente o que ele dizia. E algumas palavras mesmo não as ouvi, porque o vento rápido lhas arrancava da boca. Mas lembro-me de que eram palavras moduladas como um canto, palavras quase visíveis que ocupavam os espaços do ar com a sua forma, a sua densidade e o seu peso. Palavras que chamavam pelas coisas, que eram o nome das coisas. Palavras brilhantes como as escamas de um peixe, palavras grandes e desertas como praias. E as suas palavras reuniam os restos dispersos da alegria da terra. Ele os invocava, os mostrava, os nomeava: vento, frescura das águas, oiro do sol, silêncio e brilho das estrelas."

Sophia de Mello Breyner Andresen,

CONCHAS ....

 
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ABRAÇOS de LUZ

Reinvento-me no calor do sol
E no azul do mar,
Em abraços de luz!

Doem-me os braços que te não rodeiam,
Choro-te na saudade que não muda,
No amor que me não tens,
Nos caminhos desconhecidos,
Apetecidos,
Que não trilhei!

Despem-me os dedos do sol,
Acariciam-me as ondas do mar,
Embala-me o marulhar doce,
Espuma desfazendo-se na minha pele,
Sequiosa de água e luz
Que acorda cada amanhecer!

Entreabrem-se lábios doces,
Estendem-se braços ansiosos,
Distendem-se músculos tensos!...

És em mim sabor que espero,
Amálgama de segredos e paixão,
Gravado nas linhas do destino!

Vem!

Aperta-me no teu sonho,
Desperta-me no teu desejo!
Abraça-me!

Quero colher,
Na imensidão do sonho,
Teu abraço de sol e mar!





POEMA RETIRADO DA NET
(AUTOR DESCONHECIDO)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A HORA MAIS BONITA do DIA



TEMPO MÁGICO----ESTE EM QUE O SOL ENCHE O FIRMAMENTO DE AMARELO E LARANJA......INESQUECÍVEL TANTA BELEZA......

Mas, eis que a LUA ressuscita e surge nova BELEZA, igualmente MÁGICA, embora muito diferente....

O PÔR do SOL na PRAIA da GALÉ

 
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O PÔR do SOL na GALÉ ----- A HORA da MAGIA.....




A HORA da CALMA, da TRANQUILIDADE, da PAZ e da BELEZA....
É, sem dúvida, a MINHA HORA PREFERIDA.....

O FINAL do DIA -------- PRAIA da GALÉ


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

SOPHIA de MELLO BREYNER ANDRESEN -----JARDINS VERDES do MAR

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.